O mercado de carbono tem ganhado destaque global, atraindo recursos de investidores de grande porte em busca de soluções para a crise climática. Nos últimos anos,
empresas e fundos institucionais vêm alocando recursos em créditos que demonstram elevados padrões de certificação e transparência.
Desde a criação dos primeiros mecanismos de comércio de emissões, o mercado de carbono evoluiu para incluir tanto um sistema regulado quanto um mercado voluntário. O primeiro, presente em importantes regiões como a União Europeia, estabelece cotas de emissões para setores industriais e obrigações de compra e venda de créditos. O mercado voluntário, por sua vez, funciona como um complemento,
permitindo que empresas busquem reduzir suas emissões mesmo sem obrigações legais diretas. Em 2024, o mercado voluntário passou por reorganização, enfrentando desafios reputacionais e reputação e volatilidade nos preços, mas também consolidou créditos de maior integridade para reflorestamento e gestão aprimorada.
Em 2025, vimos um aumento significativo da alocação de recursos por investidores institucionais em ativos ligados a soluções climáticas. Grandes gestores de ativos, seguradoras e fundos de pensão incorporaram o mercado de carbono em suas estratégias de investimento ESG. Segundo relatórios recentes,
mais de 40% das empresas com metas de redução de emissões obtiveram aprovação da Science Based Targets initiative (SBTi) em 2024, sinalizando o apetite por iniciativas de transição.
Entre os principais motivadores dessa tendência, destacam-se:
Essa disposição reflete uma visão de longo prazo, onde a redução de emissões se alia à transição para economia de baixo carbono.
O Brasil tem potencial único para se destacar no mercado de carbono global. Com alta biodiversidade e uma matriz energética quase 50% renovável, o país oferece condições privilegiadas para projetos de remoção e conservação de carbono. Além disso, iniciativas públicas, como o plano nacional de implementação previsto para julho de 2025, prometem harmonizar padrões internacionais sem sacrificar a soberania nacional.
Bancos de fomento, como o BNDES, já lançaram chamadas públicas para aquisição de créditos do mercado voluntário, priorizando projetos nacionais que comprovem benefício ambiental e social. A missão brasileira à Califórnia em 2025 reforçou o diálogo com o mercado mais maduro do planeta, abrindo portas para investimentos e parcerias.
Esses números ilustram o potencial de R$ 100 bilhões em receitas até 2030, caso as condições favoráveis se consolidem.
Apesar das oportunidades, o crescimento do mercado de carbono enfrenta obstáculos que exigem atenção conjunta de reguladores e investidores. A definição de regras claras para transferências internacionais, alocação de créditos e certificação exige cooperação entre órgãos nacionais e entidades globais.
Outro ponto crucial é o equilíbrio entre oferta e demanda. Caso a demanda obrigatória de 0,5% dos ativos de seguradoras e fundos de previdência seja mantida nos moldes previstos, pode haver escassez de créditos com os padrões exigidos. Isso reforça a necessidade de ampliar a produção de projetos de alta integridade.
Resolver essas questões fortalecerá a credibilidade do mercado e atrairá ainda mais capital institucional.
Para quem busca investir nesse segmento, é fundamental conhecer os diferentes tipos de créditos, entender certificações reconhecidas e avaliar riscos relacionados à qualidade dos projetos. Seguem orientações práticas:
1. Pesquise padrões reconhecidos, como Verra e Gold Standard.
2. Avalie projetos com relatórios transparentes de monitoramento.
3. Consulte consultorias especializadas para due diligence.
4. Acompanhe as mudanças regulatórias e legislações locais.
Além disso, a diversificação entre ativos regulados e voluntários pode reduzir riscos e potencializar retornos, sobretudo em cenários de flutuação de preços.
O momento atual revela uma convergência de interesses entre investidores institucionais e a agenda climática global. Com iniciativas públicas e privadas alinhadas, o Brasil tem a chance de assumir posição de liderança no mercado de carbono.
A combinação de apoio governamental, fomento financeiro e experiência de grandes empresas cria um ambiente propício para projetos de alto impacto. Cabe aos players envolvidos, desde o pequeno investidor até grandes fundos, adotar as melhores práticas de governança e integridade.
Investir em carbono não é apenas uma oportunidade financeira, mas um compromisso com o futuro do planeta. O capital institucional, movido por critérios ESG e visão de longo prazo, tem o poder de transformar paisagens e economias, impulsionando uma transição real para um mundo de baixas emissões.
Referências